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Entendendo a cota de tela

Foto do escritor: Paulo  Canuto
Paulo Canuto
11 de mai. de 2019
4 min de leitura

Será que isso de fato vai ajudar o cinema brasileiro?

Fonte: Internet

Nos últimos dias, alguns comentários e matérias começaram a brotar desde que o ministro da cidadania do governo Bolsonaro Osmar Terra assinou um decreto que obriga os cinemas brasileiros a destinar uma cota de salas para exibição de filmes nacionais.


"Cota de Tela" é o nome dado à obrigação legal, existente em muitos países, de exibição de um mínimo de obras nacionais no cinema ou na televisão. É existente em diversos países como a União Européia, Argentina, Bolívia, Venezuela, Brasil e outros. No brasil a primeira "cota de tela". Por essas terras desde os anos 30 temos ideias de cota de tela, em 32 a obrigação era de um filme de educativo por sessão, a partir de 39 um longa nacional por ano chegando a seis em 1950.

A "cota de tela" é regulada por uma medida provisória criada em 2001 e válida por 20 anos, mas tem seus quantitativos atualizados anualmente. Ela determina multa de 5% sobre a receita bruta diária da sala, para cada dia em que a regra for descumprida. "É uma legislação que costuma ser razoavelmente cumprida, mas por conta dessa pendência de dezembro até agora, houve todo esse imbróglio que acabou nos provando a importância dessa determinação. Parece que o governo precisava desse choque", diz Luiz Joaquim. O decreto relativo a 2019 foi assinado nesta segunda-feira (6), pelo Ministro da Cidadania, Osmar Terra, e deve ser publicado em Diário Oficial ainda esta semana.

"Dá pra ver que o assunto não é nem um pouco novo"

O que motivou a decisão do ministro?


Desde dezembro uma brecha na legislação que o governo Temer deixou passar fez com que Vingadores Ultimato, recordista de bilheteria no mundo todo, ocupasse 80% das telas nos cinemas brasileiros e "tirou" de circulação filmes como Cine Holliúdy 2 - A Chibata Sideral sequência que vem sendo muito elogiada e outros que vai bem nas criticas é o De pernas pro ar 3, mesmo com uma boa média de procura do público. Esses ocorrido despertou as criticas e fez com que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) convocasse uma reunião no último dia 3 para discutir o que fazer.


Uma das justificativas das criticas é que Ultimato está indo muito bem obrigado nos E.U.A e só ocupou 10% das telas dos cinemas, já que eles enxergam que deve haver uma diversidade na exibição das produções. Olhando para nossa realidade a maioria esmagadora de salas de cinema estão concentradas em shoppings e todos sabem que tipo de publico essas franquias querem atender e quais filmes são buscados por esses consumidores, é a lei do comércio, se você sabe o que seu cliente quer e não oferece você perde para quem for oferecer.



Mas como isso irá ajudar os filmes nacionais?


Vivemos na era dos blockbusters e dificilmente essa vertente de filmes perderá força, assim se levarmos em consideração o sucesso (bilheteria) que esses filmes vem alcançando. O cinema brasileiro não possui um histórico de filmes desse tipo, isso não quer dizer que nossas produções sejam de baixa qualidade, porém nosso forte em cinema ainda é drama e comédia, Cine Holliúdy 2 - A Chibata Sideral e de Pernas para o ar 3 estão ai para provar.


É fato que dar mais visibilidade pode atrair mais pessoas, aqueles entusiastas de cinema nacional, pessoas que vão ao cinema sem pretensão de filme com uma ofertar maior de filme a sua curiosidade poderia ser aguçada e o levar a escolher uma produção nacional como forma de entretenimento naquele momento. Porém se o filme for de baixa qualidade não há cota que fará a produção ir bem nas vendas, além de que a cota delibera que uma quantidade de salas exiba filmes nacionais mas nada impede que o público espere pela sessão de seu filme.

"Porém se o filme for de baixa qualidade não há cota que fará a produção ir bem nas vendas, além de que a cota delibera que uma quantidade de salas exiba filmes nacionais mas nada impede que o público espere pela sessão de seu filme."

Para o programador do cinema São Luiz, Geraldo Pinho, a questão da cota é importante mas há outros aspectos que precisam ser discutidos. "Existem mais de 3.300 salas no Brasil e a maioria é localizada dentro de shoppings, que só exibem filmes feitos para determinado tipo de público. A lei das cotas só garante o fato do filme ser nacional. Mas as produções autorais e independentes não encontram espaço para serem exibidas", analisa. "De certa forma, a cota de tela existe só para dizer que tem uma proteção em relação ao nosso cinema. Mas na minha opinião o que falta é tela, não é cota", critica.


O que vai acontecer?


Bem a polêmica chegou, se instaurou e gerou debates e por fim o decreto, dessa forma o cinema brasileiro está mais protegido, pelo menos no papel. A necessidade de se haver uma cota para diversificar o que é exibido nos cinema é triste, porém se a lei do comércio fala mais alto então colocar um peso nessa balança pode ser uma saída interessante, porém essa cota pode irritar aqueles que irão em busca de seus filmes e pode ser que encontrem sessões lotadas com mais frequência. É esperar para ver, espero que isso ajude nossas produções, todas elas.



 
 
 

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